quarta-feira, 7 de março de 2007

Primeira taça será erguida hoje

Por Orozimbo Souza Júnior

O segundo confronto entre Flamengo e Madureira definirá na noite desta quarta o primeiro campeão de 2007. A Taça Guanabara, correspondente ao turno do Campeonato Carioca, garante troféu e vaga na final da competição.

Para o rubro-negro só interessa a vitória. De preferência por dois gols, já que o tricolor suburbano levou a melhor no confronto de domingo, 1 a 0, e joga pelo empate. Em caso de vitória simples do Flamengo, a disputa irá para as cobranças de pênaltis. Nesse caso, aposto na equipe da Gávea, que tem um excelente pegador de penalidades, o polêmico goleiro Bruno.

Mesmo desfalcado de sua dupla de atacantes titular –Marcelo, suspenso, e Valdir Papel, contundido-, aposto no conjunto do Madureira. Pelo que vem demonstrando, o Madura vai garantir o samba no subúrbio esta noite.

Narizes quebrados, péssimos exemplos

Por Orozimbo Souza Júnior

A rodada de ontem da Liga dos Campeões da UEFA teve quatro confrontos, e o que se viu, mais uma vez, foi o futebol burocrático praticado pela maioria das equipes européias. Até aí, nada demais. Entretanto, dois fatos lamentáveis aconteceram nos duelos Valência x Inter de Milão e Lyon x Roma.

Na partida que garantiu a classificação dos espanhóis do Valência à próxima fase, uma batalha campal após o jogo deverá custar uma boa punição para ambas as equipes. No melhor estilo “todos batem, todos apanham, ninguém se machuca”, atletas das dois times se atracavam. Infiltrado entre os integrantes da “turma do deixa disso” apareceu o reserva Navarro, do clube espanhol, e agrediu, por trás, o argentino Burdisso, da Inter. O agressor bateu e correu. O agredido ficou com o nariz faturado.

No outro jogo, o péssimo exemplo foi do brasileiro Fred, do Lyon, ex-América e Cruzeiro. Perdendo por 2 a 0, os franceses pressionavam para diminuir o prejuízo, já que àquela altura a classificação era quase impossível. Numa cobrança de escanteio para o Lyon, em meio ao famoso agarra-agarra, Fred era marcado pelo zagueiro Chivu. Sem mais nem menos, o brasileiro soltou uma cotovelada no adversário, que teve seu nariz espatifado. Nunca vi tanto sangue no rosto de um atleta antes. O atacante que espere pelo belo “gancho” que deverá pegar. Ele merece ainda um puxão de orelhas do técnico da nossa seleção.

Enquanto autoridades lutam para buscar formas conter a violência nos estádios, após ocorrências lamentáveis em jogos na França e na Itália, quem poderia ou deveria dar exemplo não o faz. Até hoje, os envolvidos em um confronto futebolístico, atletas e dirigentes, insistem em ignorar a opinião corrente de que suas atitudes têm o poder de influenciar, para o bem e para o mal, os torcedores.

terça-feira, 6 de março de 2007

Lamentável, simplesmente lamentável

Por Orozimbo Souza Júnior

O presidente do Atlético, Ziza Valadares, concedeu hoje uma entrevista (?) à “Bancada Democrática” do Alterosa Esporte.

As dívidas do Clube, sobretudo as trabalhistas, foram tema principal. Contraídos em administrações passadas, os débitos, segundo o próprio Ziza, são o maior entrave para administrar o Atlético.

Entretanto, o presidente alertou que não fará uma “caça às bruxas”, para apurar responsabilidades. Disse que vai pensar o Galo de agora para frente. Acontece que os cobradores não.

Os que têm a receber do alvinegro, e são muitos, não estão nem aí para saber se foi José ou João quem não cumpriu com suas obrigações, e estão dispostos a receber a todo custo. Não sei de onde sairá o dinheiro, apesar de Ziza ter revelado que há um orçamento de cerca de R$ 4 milhões para quitar dividas em 2007. Pelos números divulgados do rombo no Atlético, isso não dá nem para o começo.

Outra afirmação lamentável foi quanto ao time. “Sou um otimista por natureza. Temos três centroavantes maravilhosos”. Tudo bem que para a situação do Atlético poder contar com Marinho, Vanderlei e Galvão é até razoável. Mas eles estão longe de merecerem tal adjetivação.

Uma coisa, até salutar, é ser otimista. Outra é fechar os olhos para o que todo mundo já sabe: com esse time, o Galo, se tudo der certo, deve ser apenas figurante nas competições importantes deste ano.

“Joelho de Aquiles”

Por Orozimbo Souza Júnior

Semana passada foi Obina, do Flamengo. Neste final de semana, mais quatro jogadores brasileiros sofreram sérias lesões nos joelhos. Ambos devem retornar aos gramados só em 2008.

O maior drama é o de Nilmar, do Corinthians, que mal voltou de uma contusão no joelho esquerdo que o afastou por sete meses dos gramados. Dessa vez, o problema foi no direito, e o atacante ficará no estaleiro por mais oito meses.

Outra baixa foi Kerlon, o foquinha do Cruzeiro, que sofreu lesão semelhante. Tido como grande esperança do futebol brasileiro, o jogador tenta se firmar há uns dois anos, mas as seguidas contusões têm impedido.

O terceiro na lista é o atacante Alemão, do Palmeiras, outra “vítima” do clássico de domingo. Pouco conhecido no futebol brasileiro, o palmeirense teve passagem pelo Coritiba e estava no Japão.

Por fim, o atacante brasileiro Leonardo, 23, do Ajax, que foi para a Holanda ainda jovem, 17 anos, rompeu os ligamentos do joelho em jogo contra o AZ Alkmaar. Bola para ele só ano que vem.

O joelho é um dos maiores, se não o maior, ponto fraco de todos os atletas. Há bem pouco tempo, contusões nesta parte do corpo significavam o fim de carreira para muitos. A medicina evoluiu, e o que significava aposentadoria transformou-se em afastamento por alguns meses.

A maioria dos jogadores retorna bem, apesar de que muitos são sempre rondados pela sombra da desconfiança. Longe de querer ser especialista, acredito que o maior obstáculo para os atletas em recuperação seja o lado emocional, aceitar conviver com o afastamento e toda a carga de trabalho fisioterápico.

Cabe agora desejar que a recuperação de todos aconteça da melhor da forma.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Resposta ao leitor

Por Frederico Jota

Nada mais válido que uma troca de idéias, uma boa discussão sobre futebol para esquentar o blog... (desde que isso não se transforme num bate-boca interminável). Dito isso, aproveito para responder alguns questionamentos feitos pelo leitor Angelo sobre meu texto do dia 4 de março, domingo.

Volto a afirmar que acho Bruno (ou Bruno Souza, como o próprio deseja ser chamado) é um dos melhores goleiros do Brasil, que em breve vai estar na seleção, pelos próprios méritos e também pela vitrine em que está. Reafirmo também que, na minha opinião, Rogério Ceni é melhor com a bola nos pés do que com as mãos - prefiro, entre outros, Bruno a Rogério. Essa seria a única comparação plausível a ser feita. Disse no meu texto que Rogério é bom de marketing e sabe usar isso como poucos, exatamente pela sua inteligência privilegiada em relação aos demais jogadores. O próprio Bruno foi direto ao afirmar que se inspirou no goleiro do São Paulo para entrar em campo contra o Madureira com a camisa reserva do Flamengo. Portanto, não teve qualquer semelhança nas declarações (ou comparação entre elas), conforme nosso leitor observa, e, sim, uma "cópia" da atitude de Rogério por parte de Bruno, nada mais. E isso nem é uma crítica... foi só o relato de um fato.

Obviamente, não se pode medir a qualidade técnica de um jogador através de suas declarações à imprensa, por mais que em alguns casos a qualidade das palavras se reflita em ações mais inteligentes em campo (e fora dele). Mas também não dá para negar que, atualmente, com a infinidade de assessores de imprensa, procuradores e afins, é de uma mediocridade e de uma infantilidade sem tamanho alguns saírem falando tanta besteira por aí. Essa falta de orientação, critério e cuidado na hora de abrir a boca pode fechar algumas portas carreira afora...

Um abraço ao Angelo e aos demais leitores

O medo de perder tirou a chance de ganhar

Por Orozimbo Souza Júnior

Não gosto de usar frases feitas, mas no futebol é difícil abrir mão delas para fazer alguma análise. E é justamente uma idéia pronta a melhor descrição para o que ocorreu no jogo de ontem entre Cruzeiro e América, pela sexta rodada do Campeonato Mineiro.

Com um começo muito bom, o Coelho foi pra cima da Raposa, teve boas oportunidades e, logo aos 12 minutos, abriu o placar no belo gol de Fabrício Soares.

A partir daí, o que se viu foi recuo desnecessário do América, que partiu para garantir o resultado muito cedo e deixou de acreditar que poderia marcar mais gols. Ao abdicarem do jogo, os americanos chamaram o Cruzeiro, que, mesmo sem demonstrar um bom futebol no primeiro tempo, começou a tomar conta da partida.

Percebendo que o propósito do América era apenas garantir o 1 a 0, o time da Toca voltou com tudo para o segundo tempo e em apenas cinco minutos já havia conseguido virar o marcador para 2 a 1, além de desperdiçar outras oportunidades.

Acuados, dessa vez pelo melhor futebol dos celestes, os americanos só voltaram a criar uma chance nos acréscimos do jogo, quando o zagueiro Gladstone teve que parar com falta (e acabou expulso) uma jogada que fatalmente terminaria no gol dos 2 a 2. Na cobrança frontal, o meia do América Donizeti Amorim jogou para fora a última possibilidade de resultado melhor.

No fim das contas, o placar premiou a superioridade do Cruzeiro, que garantiu a liderança do campeonato, e puniu a covardia do América, que está na lanterna da competição.

domingo, 4 de março de 2007

O boquirroto

Por Frederico Jota

Em tempos de marketing, nada mais normal que qualquer jogador use alguns fatores a seu favor, seja para ganhar pontinhos preciosos com a torcida seja para se promover em tempos de vacas magras. Em alguns casos, o marketing de alguns desses jogadores se sobrepõe às suas qualidades. A lista seria imensa e interminável.

Falando desse assunto, vem à tona a projeção de um jogador que é bom de bola e bom de marketing, mas extremamente infeliz em suas declarações, especialmente ao relembrar sua trajetória no esporte. Falo de Bruno, goleiro do Flamengo. Excelente goleiro e que, até agora, no clube carioca não fez nada negativo que vazasse imprensa afora, como foram comentados seu hipotético fator desagregador de grupos, como ficou marcado em sua passagem pelo Atlético.

Bruno se aproxima da torcida rubro-negra ao se inspirar em Rogério Ceni (outro que, para mim, é bom demais de marketing, mas que é melhor com os pés do que com as mãos) e usar a camisa reserva dos jogadores de linha, mas se distancia do bom senso ao dizer que quer ser chamado de Bruno Souza para deixar para trás seu passado no Galo e no Corinthians. Bruno alega que agora está em um grande clube e por isso tudo mudou.

O cérebro de um jogador de futebol é um mundo difícil de decifrar, portanto não dá para ficar pensando demais em que passou na cabeça de Bruno para falar essa bobagem. O que é de amargar é o desconhecimento, o desrespeito e a falta de noção do jogador ao dizer isso, ainda mais em épocas de assessores disso e daquilo, aqueles que orientam e filtram o que os atletas falam. Bola fora do promissor goleiro, que tem uma carreira em ascensão desde 2005, mas que só a partir de sua mudança para os holofotes rubro-negros é que teve sua qualidade apreciada (e supervalorizada, como qualquer camisa 10 candidato a futuro Zico).

“Essa vitória coloca realmente o Atlético no campeonato”

Por Orozimbo Souza Júnior

Nas palavras do treinador atleticano, a vitória de ontem sobre o Guarani recoloca o Galo no campeonato. Com os 4 a 0, o time saltou da nona para a quarta posição e, temporariamente, ocupa a zona de classificação.

Entretanto, tenho que repetir uma opinião que venho defendendo há um bom tempo. O campeonato segue embolado. Mesmo antes da partida de ontem, não via o Atlético fora da disputa, assim como nenhuma outra equipe.

Tanto é verdade que, dependendo dos resultados de hoje, o alvinegro pode cair para a sétima posição e ficar “longe” da zona de classificação mais uma vez, sem, com isso, sair da disputa. Ao que tudo indica deveremos ter uma briga muito boa nas últimas rodadas, com várias equipes tendo chances de avançar às semifinais.

Noves fora o placar elástico, o Atlético não mostrou tanta evolução quanto algumas opiniões de jogadores ontem após a partida tentaram demonstrar. A equipe ainda precisa de acertos, caso tenha maiores pretensões no estadual, bem como em toda a temporada.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Minas 100% na Copa do Brasil. Destaque é o Villa

Por Orozimbo Souza Júnior

As quatro equipes mineiras que iniciaram a segunda competição mais importante do país avançaram à segunda fase.

Atlético e Cruzeiro enfrentaram adversários modestos. O Galo nem precisou do segundo jogo contra o desconhecido Colo-Colo da Bahia. Já na partida de ida, sem mostrar um bom futebol, não fez mais do que sua obrigação e venceu por 3 a 1.

O time celeste teve um pouco mais de dificuldade e até chegou a assustar sua torcida. Contra o inexpressivo Veranópolis-RS, a Raposa precisou do jogo de volta, após empate no Sul por zero a zero na estréia. Em casa, quando todos esperavam uma goleada, o magro 1 a 0 colocou em xeque, novamente, a capacidade da equipe. Mas o importante é que o Cruzeiro avançou.

O Ipatinga também deu um susto. Na estréia, perdeu no Espírito Santo para o Vitória por 1 a 0. Na volta, só saiu do sufoco nos acréscimos da partida, quando fez 3 a 1 e eliminou os capixabas. O Tigre enfrentará o Palmeiras na segunda fase. Certamente, será a maior pedreira enfrentada pelos mineiros até agora.

Mas o grande destaque de Minas na primeira fase foi o Villa Nova. Contra o adversário mais difícil para todos os clubes mineiros, o Leão mostrou personalidade e venceu a Ponte Preta em Nova Lima (1 a 0) e em Campinas (3 a 2). Seu próximo adversário será o Rio Branco-PR, e as chances de classificação são muito boas.

Com alguns dos principais times brasileiros fora da Copa do Brasil, em virtude da participação na Libertadores, a disputa nos últimos anos tem dado chance a alguns azarões, como Paulista e Santo André. Quem sabe este ano não é a vez do Villa Nova.

Uma troca muito interessante

Por Orozimbo Souza Júnior

Vem sendo noticiado há alguns dias em vários jornais da Europa um possível negócio envolvendo Milan e Real Madrid. O antes inegociável Kaká poderia deixar o time milanês, com destino à Espanha.

Sonho de consumo antigo dos merengues, Kaká seria trocado por três jogadores: Robinho, Diarra e Canavaro. Caso deixe a esfera da boataria e se concretize, essa troca deve ser interessante.

Robinho está sem ambiente no Real e se desvaloriza a cada partida. Em Milão, poderá respirar novos ares, em companhia do grande amigo Ronaldo Fenômeno.

Kaká poderá ter a chance de brilhar em um futebol que sempre privilegia jogadores que conduzem a bola em velocidade, marca principal do craque brasileiro.

Voltando para a Itália, Canavaro pode reencontrar o bom futebol que o consagrou melhor do mundo em 2006, coisa que não foi possível em quase em ano no Real. O malinês Diarra vive situação semelhante, desde saiu do Lyon, não repetindo seu bom futebol.

Poucos negócios feitos no futebol têm a perspectiva de serem bons para todos os envolvidos. Essa possível troca traz um ar de positiva para todos. A conferir.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Não vi e não gostei

Por Rodrigo Rodrigues

Acabo de saber o resultado do segundo jogo entre Cruzeiro e Veranópolis, válido pela Copa do Brasil. Em pleno Mineirão, contra uma inexpressiva equipe, dentro e fora de campo, o time mineiro se classifica com o placar mínimo: 1 a 0. Isso, após ter empatado por 0 a 0 no Rio Grande do Sul. Confesso que não assisti ao jogo de ontem, mas, mesmo assim, não gostei.

Contudo, temos de reconhecer que a diretoria cruzeirense tem um grande aliado nas suas fileiras. Os principais setores da imprensa mineira enaltecem qualquer asneira ou factóide plantado pelos Perrellas com o objetivo de desviar a atenção dos torcedores, a verdadeira massa, às vezes acéfala, para as carências da equipe.

Após a derrota no clássico, por exemplo, a imprensa noticiou que a “volta do meia Alex é praticamente certa”. Bastou isso, para os torcedores se esquecerem de que o time havia sido goleado pelo seu principal adversário. Sucesso de administração e propaganda. Por sua vez, dentro de campo, basta saber quantos lados tem uma bola, (dois: o de dentro e o de fora) para concluir que o Cruzeiro precisa melhorar, e muito, para não repetir a vexatória campanha de 2006.

Faltam à equipe um zagueiro para o lugar do inepto e inapto André Luis, (tínhamos aqui em Minas o excelente Willian, hoje titular absoluto do Grêmio) um meia (Giovane não é o nome. É afobado, corre demais com a bola e o pior: não tem qualidade técnica suficiente e/ou apropriada para assumir essa posição) para assumir o meio-campo cruzeirense ao lado do, até então, improdutivo Marcinho e um atacante que tenha um pouco mais de mobilidade de um “Boneco de Olinda”/’Bonecão do Posto” (Por que não dar uma chance para o Diego Silva? Para que trazer Pedro Júnior e Nenê?).

Outro fato que muito me incomoda no Cruzeiro é o status imerecido atribuído ao Kerlon. Para mim, fruto de mais uma jogada de marketing cruzeirense, dessa feita sem êxito, para trocá-lo por dólares ou euros. O menino pode ser muito bom para a sua idade. Destacou-se na seleção brasileira sub-17 e virou mania nacional por causa do malabarismo que faz com a bola. Mas, desde que o subiram precoce e interessadamente para o profissional, nunca apresentou nada.

No entanto, bastou fazer um belo gol contra o Ituiutaba para tentarem ressuscitá-lo. Menos, por favor!!! O “craque” demorou quase dois anos para marcar um golzinho nos profissionais, mas teve jornalista que, após a sua “grande” atuação contra o time do pontal do Triângulo, sentenciou que o jogador “vive o seu grande momento”. No entanto, até hoje não sei qual é a posição do Kerlon.

Mas isso não é importante. O que vale é fechar os olhos (dos outros), colocar a mão na caneta e enganar a massa.

Que sirva, pelo menos, de exemplo

Por Orozimbo Souza Júnior

Um fato lamentável marcou o clássico entre Bétis e Sevilla, ontem, pela Copa do Rei na Espanha. Ao comemorar o primeiro gol de seu time, o técnico Juande Ramos do Sevilla levou uma garrafada na cabeça, atirada por um torcedor do Bétis.

Ramos foi retirado de campo desacordado, e o jogo acabou suspenso aos 11 minutos do segundo tempo. A Federação Espanhola irá decidir nos próximos dias quais medidas tomar, tanto com relação à agressão, quanto ao resultado da partida.

O mais grave nessa história é que o mau exemplo veio de cima. Dias antes do jogo, os presidentes de ambas as equipes trocaram provocações. O cartola do Sevilla teria usado termos que humilharam o Bétis. Preocupada com as possíveis conseqüências das inconseqüências dos dirigentes, a Federação Espanhola exigiu que o Bétis, mandante da partida, garantisse a segurança de todo o staff do Sevilla. Em represália às ofensas do adversário, o Bétis não se comprometeu a dar tais garantias. O resultado foi quase uma tragédia.

Aqui em Minas, atitudes semelhantes são observadas por parte, principalmente, de dirigentes de Atlético e Cruzeiro. É comum ambos os lados lançarem provocações mútuas, sem se preocuparem com as possíveis conseqüências dessas atitudes que não acrescentam nada.

Esperamos que o ocorrido na Espanha sirva para que os dirigentes mineiros reflitam sobre seus atos. Infelizmente, não acredito que vá acontecer. É só aguardar pelo próximo clássico para conferirmos.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Para Cruzeiro, perigo mora no regulamento

Por Orozimbo Souza Júnior

Ao time da Toca, basta uma vitória por qualquer placar, no jogo de hoje contra o Veranópolis, para que equipe avance à segunda etapa da Copa do Brasil.

Pelo que vimos no primeiro jogo, no Rio Grande Sul, que terminou zero a zero, o time mineiro não terá grandes dificuldades para conseguir seu objetivo.

Mas é bom que a Raposa fique atenta durante os 90 minutos. Como o regulamento da competição dá peso maior ao gol fora de casa, qualquer empate com gols dá a vaga aos gaúchos.

Em noite de apagão, Grêmio decepciona

Por Orozimbo Souza Júnior

Instantes antes do jogo de ontem entre Grêmio e Deportivo Cúcuta, pela Libertadores, um problema no sistema elétrico deixou o Estádio Olímpico às escuras, provocando o atraso da partida em uma hora.

Quando, enfim, a bola rolou, as luzes acesas mostraram um futebol fraquíssimo, quase sonolento. Com poucas chances de gol, o zero a zero foi a melhor tradução do que se viu em campo.

De bom mesmo só o show que a torcida gremista deu nas arquibancadas enquanto a iluminação não era restabelecida. De qualquer maneira, o tropeço não deve preocupar os gaúchos. A vitória fora de casa na estréia, contra o Cerro Porteño, deixa o time do Sul no lucro.

Hoje é a vez de o São Paulo receber o Alianza Lima, do Peru, e de o Inter receber o Emelec, do Equador. O outro brasileiro em ação esta semana é o Santos, que encara o Defensor do Uruguai amanhã, na Vila Belmiro.

Aposto em três vitórias brasileiras, mas, desta vez, não com tanta certeza, pois, antes do jogo do Grêmio, podia jurar que o Cúcuta seria goleado, sem maiores problemas.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Alguém sabe explicar?

Por Orozimbo Souza Júnior

Cumprir o que foi acertado com os jogadores nunca foi o forte das últimas administrações do Atlético. Haja vista o grande número de ações trabalhistas contra o clube de uns tempos para cá.

E, para não fugir à regra, “pipocaram” mais algumas ações que devem ser executadas em breve e deixaram arrepiados os cabelos do recém-empossado presidente, Ziza Valadares. Há rumores de que as somas de ações trabalhistas contra o Galo giram em torno de R$ 30 milhões, e não há de onde tirar dinheiro para arcar com o rombo.

Até aí, não existe mistério. Se o clube não cumpre com suas obrigações, os jogadores, com todo direito, recorrem à Justiça. Mas o que impressiona são os valores devidos e o tempo que a dívida se arrasta.

Para se ter uma idéia, vamos aos valores que alguns profissionais estão cobrando: o meia Ramon (R$ 3 milhões), o lateral-esquerdo Ronildo (R$ 2,5 milhões), o volante Gilberto Silva (R$ 2 milhões), o preparador físico Noslen Mehl (R$ 1,5 milhões) e o goleiro Kléber (1,2 milhões).

A pergunta que se faz necessária é: o que não foi cumprido com esses profissionais que permitiu um acúmulo tão alto? Certamente, a resposta não saíra disso: incompetência e/ou irresponsabilidade.

Errata

Por Orozimbo Souza Júnior

Cometi dois equívocos em textos publicados neste blog anteriormente. Aproveito para corrigir.

No texto "Liderança com propriedade", disse que o Atlético está em décimo lugar no Campeonato Mineiro. Na verdade, como bem alertou o leitor João Paulo, por ter saldo menos pior do que o Ituiutaba, o Atlético está na nona posição.

O outro erro aparece no texto “Craques brasileiros em inferno astral”. Escrevi erroneamente o nome do jovem atacante argentino que joga no Real Madrid. O correto é Higuaín, não Higuaim, como aparece no texto.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Liderança com propriedade

Por Orozimbo Souza Júnior

Como disse o colega Guilherme Ibraim, em um texto anterior, o Cruzeiro ainda precisa de ajustes, caso tenha maiores pretensões na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro.

Mas os inapeláveis 4 a 1 da equipe celeste contra o Ituiutaba reforçam a idéia de que, com os jogadores que tem, o time da toca tende a “sobrar” no estadual. Mesmo assim, reitero meu pensamento de que a competição segue equilibrada e indefinida, como mostram os números da classificação.

Outro time que parece ter encontrado seu rumo na competição foi o Ipatinga. Jogando em casa, o Tigre não tomou conhecimento do então líder Guarani e fez 3 a 0, garantido o segundo lugar. Na seqüência, vêm Rio Branco e Caldense, que, hoje, fechariam o grupo dos quatro classificados à segunda fase.

Atlético e América continuam decepcionando. Ocupando a antepenúltima e penúltima posições, respectivamente, as duas equipes estão proibidas de vacilar nos jogos restantes.

Falta equilíbrio

Por Guilherme Ibraim

Os efeitos da derrota para o Atlético no clássico ainda parecem rondar a toca da Raposa II. Mesmo vencendo Ituiutaba por 4 a 1 no Mineirão, em jogo válido pela 5ª rodada do estadual, o Cruzeiro ainda mostra algumas deficiências que podem comprometer a equipe em outras competições.

No setor defensivo está o maior problema. Os laterais têm sido muito inconstantes nas atuações durante as partidas e têm pouco poder de marcação. Aliado a isso, André Luís, zagueiro central, é muito pesado e leva muita desvantagem contra jogadores de velocidade. Um ponto positivo para o setor foi a entrada de Renan, no meio-campo, minimizando os problemas.

Já no setor “pensante” do time, falta um jogador de característica mais criativa. Marcinho se limita a produzir algo em jogadas isoladas e individuais, que sempre resultam em cruzamentos. Falta tabelar e fazer mais lançamentos. Geovanni, apesar de um pouco melhor, apóia-se, basicamente, nas mesmas características de seu companheiro.

Mais bem resolvido está o ataque que, apesar do jejum de gols do centroavante Rômulo, tem em Araújo uma figura que, no jargão do momento, desequilibra. Em suma, Paulo Autuori precisa equilibrar as boas peças que tem, aliando poder de marcação com efetividade nas conclusões e uma melhora na criação de jogadas. Tarefa fácil? Certamente, não. Mas o Campeonato Mineiro está aí para isso. Vamos aos testes.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Campeonato Mineiro segue embolado

Por Orozimbo Souza Júnior

Já estamos na metade da competição e o equilíbrio continua sendo a marca do estadual 2007. Os empates entre Democrata-GV x América e Caldense x Atlético confirmam a tendência.

Até agora, nenhuma das 12 equipes deslanchou. Apontar candidatos à classificação ou ao rebaixamento é um risco muito grande.

Certo mesmo é que algumas equipes já deveriam ter mostrado mais serviço. Puxa a fila dos que estão devendo o Atlético, seguido de Ipatinga, América e até o Cruzeiro, que fez mais investimentos e, apesar de apenas quatro partidas disputadas, ainda não convenceu.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Só não vê quem não quer...

Por Frederico Jota

Fosse em outros campos, dos pequenos e surrados protótipos de gramados que existem na Baixada Fluminense até aos propalados estádios de 'primeiro mundo' do interior paulista, e o que acontece no Rio Grande do Sul estaria estampado em todas as primeiras páginas de jornal, o Jornal Nacional daria meia hora de seu horário nobre e por aí vai...

Falo da incrível trajetória de vitórias do Grêmio, o mesmo time que defendi há uma semana aqui no blog e que foi motivo de algumas críticas. Primeiro, deixo bem claro que não sou torcedor do Grêmio, mas também não sou cego. O melhor início de temporada de um grande clube brasileiro em 2007 deve ser, sim, aplaudido. São oito vitórias em oito jogos, um deles uma batalha contra o Cerro Porteño pela Libertadores. Foram 24 gols marcados e dois sofridos.

Vão falar por aí que o Campeonato Gaúcho é isso e aquilo, mas será que algum time dos "grandes centros" são tão melhores assim que os demais interioranos do Sul ou de Minas? Só para se ter uma idéia, o Madureira, semifinalista da prestigiada Taça Guanabara e autor de inapeláveis 4 a 1 no Todo-Poderoso Flamengo, perdeu em casa, na Copa do Brasil, por 3 a 2, para o misto do Figueirense, vice-lanterna do Campeonato Catarinense. Acho que é um bom parâmetro para se medir as coisas.

Elogiar - e acompanhar - o Grêmio é abrir os olhos para o que acontece no futebol em todo o país. Um clube que saiu de uma quase falência e da segunda divisão para, em menos de dois anos, brilhar e demonstrar acertos das contratações à captação de sócios e outros fatores, merece, sim o crédito. Como merece o Inter, que não caiu para a Série B, mas se reergeu com a força de um gigante, virou modelo e é campeão da América e do mundo - título muito menos incensado que o do São Paulo de um ano antes (também merecido e conquistado por um clube digno de muitos elogios).