Por Orozimbo Souza Júnior
Apesar do favoritismo, o Cruzeiro sucumbiu diante da vontade dos jogadores do alvinegro no clássico deste domingo. A vitória do Galo por 3 a 1 poderia ser com um placar ainda maior, mas o resultado foi de bom tamanho, e até mesmo alguns cruzeirenses reconheceram isso.
Do lado azul, a grande decepção foi a apagada atuação de Araújo. Os cruzeirenses depositavam neles suas maiores esperenças. É bem verdade que a bola pouco chegou, em virtude da boa marcação dos meio-campistas atleticanos. Mas, quando chegou, ele foi bem anulado pelos marcadores do Galo.
Outro ponto falho na lado celeste foi a inoperância da dupla de volantes (Élson e Ricardinho), que se perderam na marcação e nas coberturas.
Já no Atlético, a maior virtude foi a marcação segura no meio-campo, que, além de anular a criação dos adeversários, deixou a defesa bem protegida. Quando os atacantes do Cruzeiro passavam pelo meio-campo, a defesa atleticana estava bem postada.
Nos minutos finais, os atleticanos gritaram olé nas arquibancadas. Mas a torcida não pode se empolgar com a primeira vitória no ano, pois o time tem muito que melhorar. Da mesma forma, os cruzeirenses não precisam se desesperar. Ainda tem muito chão pela frente.
sábado, 10 de fevereiro de 2007
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
“Clássico é clássico e vice-versa”
Por Guilherme Ibraim
A frase atribuída ao atacante Jardel, que ainda perambula pelo futebol mundial, é cada vez mais verossímil. Não pela carga humorística, mas sim por ressaltar que é um jogo diferente em todos os aspectos de uma partida de futebol. Diante disso, vale explorar todas as armas e declarações dadas por jogadores, comissão técnica e diretoria. No clássico deste sábado, acredito que, em termos de porcentagem, o Cruzeiro tem 55% de chances de vitória contra 45% do Atlético. Obviamente que defendo esta opinião por algumas razões técnicas, táticas e até mesmo extra-campo.
No plano tático o Atlético tem muitos problemas. Apesar dos questionamentos de Levir Culpi sobre o rendimento de Márcio Araújo, ele era senão um primor tecnicamente, ao menos era um jogador adaptado à função de segundo volante e que se entendia muito bem com Rafael Miranda para fazer a cobertura dos laterais do alvinegro. Para substituí-lo Levir precisará de tempo, e isso o Atlético não tem; com isso, o esquema com três volantes e apenas Marcinho na criação de jogadas transforma-se em um 4-4-2 ou até mesmo em 4-3-3, com Danilinho podendo atacar pelo lado esquerdo do campo. No mais a única novidade em relação ao time campeão da Série B é na lateral-direita, o que deve garantir uma velocidade maior ao time.
Do lado Cruzeirense a parte tática está um pouco melhor resolvida, mas ainda existem dois problemas. O primeiro é a definição na zaga, de quem é o quarto zagueiro e quem é o zagueiro central. Tanto André Luís quanto Gladstone têm características semelhantes e pouca velocidade para sair no combate a jogadores rápidos e que jogam pelas pontas, o que pode facilitar a vida atleticana. Outro ponto que ainda precisa ser melhor aprimorado é a cobertura aos avanços dos laterais do Cruzeiro, especialmente de Gabriel. Na teoria e nas palavras dos jogadores está tudo acertado: quando um lateral sobe outro fica, e quando um dos dois volantes sobe, o outro faz a cobertura. Só que isso ainda não foi testado com um ataque de maior qualidade. A versatilidade de Élson e Ricardinho para chegar ao gol adversário precisa ser muito bem contida para não deixar brechas à frente da defesa.
No quesito elenco, vitória para o Cruzeiro. Cada posição tem ao menos uma peça de qualidade para a substituição, caso necessária, ou até mesmo para uma mudança de esquema durante a partida. Ao atlético sobram peças no meio-campo, mas na defesa e ataque há uma diferença técnica muito alta. No quesito motivação, sobra vontade ao Atlético, tanto pela situação crítica na tabela quanto pela pressão de torcedores durante a semana. Já no Cruzeiro, a força-motriz do time vem da badalação em cima do "time de estrelas" e também das apresentações já vistas pelo torcedor no Campeonato Mineiro.
As apostas estão feitas e agora só resta aguardar a bola rolar e torcer para que as manifestações violentas presenciadas nas bilheterias e nas ruas de Belo Horizonte não sejam vistas no decorrer do maior clássico das Minas Gerais.
A frase atribuída ao atacante Jardel, que ainda perambula pelo futebol mundial, é cada vez mais verossímil. Não pela carga humorística, mas sim por ressaltar que é um jogo diferente em todos os aspectos de uma partida de futebol. Diante disso, vale explorar todas as armas e declarações dadas por jogadores, comissão técnica e diretoria. No clássico deste sábado, acredito que, em termos de porcentagem, o Cruzeiro tem 55% de chances de vitória contra 45% do Atlético. Obviamente que defendo esta opinião por algumas razões técnicas, táticas e até mesmo extra-campo.
No plano tático o Atlético tem muitos problemas. Apesar dos questionamentos de Levir Culpi sobre o rendimento de Márcio Araújo, ele era senão um primor tecnicamente, ao menos era um jogador adaptado à função de segundo volante e que se entendia muito bem com Rafael Miranda para fazer a cobertura dos laterais do alvinegro. Para substituí-lo Levir precisará de tempo, e isso o Atlético não tem; com isso, o esquema com três volantes e apenas Marcinho na criação de jogadas transforma-se em um 4-4-2 ou até mesmo em 4-3-3, com Danilinho podendo atacar pelo lado esquerdo do campo. No mais a única novidade em relação ao time campeão da Série B é na lateral-direita, o que deve garantir uma velocidade maior ao time.
Do lado Cruzeirense a parte tática está um pouco melhor resolvida, mas ainda existem dois problemas. O primeiro é a definição na zaga, de quem é o quarto zagueiro e quem é o zagueiro central. Tanto André Luís quanto Gladstone têm características semelhantes e pouca velocidade para sair no combate a jogadores rápidos e que jogam pelas pontas, o que pode facilitar a vida atleticana. Outro ponto que ainda precisa ser melhor aprimorado é a cobertura aos avanços dos laterais do Cruzeiro, especialmente de Gabriel. Na teoria e nas palavras dos jogadores está tudo acertado: quando um lateral sobe outro fica, e quando um dos dois volantes sobe, o outro faz a cobertura. Só que isso ainda não foi testado com um ataque de maior qualidade. A versatilidade de Élson e Ricardinho para chegar ao gol adversário precisa ser muito bem contida para não deixar brechas à frente da defesa.
No quesito elenco, vitória para o Cruzeiro. Cada posição tem ao menos uma peça de qualidade para a substituição, caso necessária, ou até mesmo para uma mudança de esquema durante a partida. Ao atlético sobram peças no meio-campo, mas na defesa e ataque há uma diferença técnica muito alta. No quesito motivação, sobra vontade ao Atlético, tanto pela situação crítica na tabela quanto pela pressão de torcedores durante a semana. Já no Cruzeiro, a força-motriz do time vem da badalação em cima do "time de estrelas" e também das apresentações já vistas pelo torcedor no Campeonato Mineiro.
As apostas estão feitas e agora só resta aguardar a bola rolar e torcer para que as manifestações violentas presenciadas nas bilheterias e nas ruas de Belo Horizonte não sejam vistas no decorrer do maior clássico das Minas Gerais.
Com Riquelme, a coisa muda de figura
Por Orozimbo Souza Júnior
Vou voltar a falar de Libertadores porque, em um texto anterior, disse que apostava em mais uma conquista brasileira este ano. Continuo apostando, mas não com a mesma confiança.
É que a maior pedra no sapato dos times brasileiros na competição, o Boca Juniors, acaba de acertar a contratação do ótimo Juan Román Riquelme. De acordo com matéria publicada no Lancenet hoje, o Villarreal da Espanha, que tem contrato com o meia até 2009, emprestou o jogador à equipe argentina até junho de 2007.
Sem dúvida, é a maior contratação de uma equipe sul-americana nesta temporada. O Boca é muito forte em Libertadores, e com esse reforço de peso tem tudo para dar mais dor de cabeça aos brasileiros.
Vou voltar a falar de Libertadores porque, em um texto anterior, disse que apostava em mais uma conquista brasileira este ano. Continuo apostando, mas não com a mesma confiança.
É que a maior pedra no sapato dos times brasileiros na competição, o Boca Juniors, acaba de acertar a contratação do ótimo Juan Román Riquelme. De acordo com matéria publicada no Lancenet hoje, o Villarreal da Espanha, que tem contrato com o meia até 2009, emprestou o jogador à equipe argentina até junho de 2007.
Sem dúvida, é a maior contratação de uma equipe sul-americana nesta temporada. O Boca é muito forte em Libertadores, e com esse reforço de peso tem tudo para dar mais dor de cabeça aos brasileiros.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Só interditar o estádio não basta
Por Orozimbo Souza Júnior
A Federação Mineira de Futebol informa que o estádio Castor Cifuentes será interditado em virtude dos incidentes do jogo do último domingo, entre Villa Nova e Cruzeiro.
Decisão acertada. Mas não se pode parar por aí. É preciso identificar e punir torcedores (?) e policiais que protagonizaram cenas de violência lamentáveis. As imagens correram o país inteiro, e os órgãos responsáveis só não identificam os envolvidos se não quiserem.
Somente a interdição do Alçapão do Bonfim lembra muito aquela história do sujeito que chega em casa do trabalho e pega a mulher com outro no sofá. Depois disso, para resolver o problema, ele decide vender o sofá.
Em entrevista, o governador Aécio Neves constatou o óbvio com relação à ação policial: “Houveram [sic.] abusos, e a polícia sabe disso”. Resta saber se haverá punição. A conferir.
A Federação Mineira de Futebol informa que o estádio Castor Cifuentes será interditado em virtude dos incidentes do jogo do último domingo, entre Villa Nova e Cruzeiro.
Decisão acertada. Mas não se pode parar por aí. É preciso identificar e punir torcedores (?) e policiais que protagonizaram cenas de violência lamentáveis. As imagens correram o país inteiro, e os órgãos responsáveis só não identificam os envolvidos se não quiserem.
Somente a interdição do Alçapão do Bonfim lembra muito aquela história do sujeito que chega em casa do trabalho e pega a mulher com outro no sofá. Depois disso, para resolver o problema, ele decide vender o sofá.
Em entrevista, o governador Aécio Neves constatou o óbvio com relação à ação policial: “Houveram [sic.] abusos, e a polícia sabe disso”. Resta saber se haverá punição. A conferir.
Fase de grupo da Libertadores terá seis times brasileiros
Por Orozimbo Souza Júnior
Sem grande esforço, Paraná Club e Santos passaram por seus adversários na Pré-Libertadores e se juntarão a São Paulo, Internacional, Flamengo e Grêmio na fase de grupos da competição.
Dessa forma, o Brasil terá seis equipes entre as 32 que disputarão a taça, com boas possibilidades de mais uma conquista para o país, já que os brasileiros têm tudo para avançar em seus grupos, na primeira fase. Poderemos ter seis equipes entre 16 na fase de “mata-mata”.
Este ano, porém, não há possibilidade de duas equipes de um mesmo país decidirem o título, como aconteceu em 2005 (São Paulo x Atlético-PR) e em 2006 (São Paulo x Internacional). Uma mudança no regulamento faz com que equipes de um mesmo país se enfrentem, no máximo, nas semi-finais. Mesmo assim, aposto em mais uma conquista brasileira.
Resta a torcida para que Atlético e Cruzeiro se saiam bem na temporada e “belisquem” uma vaga na competição continental em 2008.
Sem grande esforço, Paraná Club e Santos passaram por seus adversários na Pré-Libertadores e se juntarão a São Paulo, Internacional, Flamengo e Grêmio na fase de grupos da competição.
Dessa forma, o Brasil terá seis equipes entre as 32 que disputarão a taça, com boas possibilidades de mais uma conquista para o país, já que os brasileiros têm tudo para avançar em seus grupos, na primeira fase. Poderemos ter seis equipes entre 16 na fase de “mata-mata”.
Este ano, porém, não há possibilidade de duas equipes de um mesmo país decidirem o título, como aconteceu em 2005 (São Paulo x Atlético-PR) e em 2006 (São Paulo x Internacional). Uma mudança no regulamento faz com que equipes de um mesmo país se enfrentem, no máximo, nas semi-finais. Mesmo assim, aposto em mais uma conquista brasileira.
Resta a torcida para que Atlético e Cruzeiro se saiam bem na temporada e “belisquem” uma vaga na competição continental em 2008.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Dunga nos passos do Parreira?
Por Orozimbo Souza Júnior
Tudo bem que foi apenas o sétimo jogo sob seu comando. O treinador ainda busca o melhor figurino para o time. Mas duas atitudes do capitão do tetra nos remeteram a um passado não muito distante, e que os brasileiros fazem de tudo para esquecer: a pífia apresentação da Seleção na Copa da Alemanha 2006.
Assim como Parreira, que escalou na copa Emerson e Gilberto Silva, Dunga escalou, contra Portugal, no meio-campo, dois jogadores com as mesmas características: Gilberto Silva e Edmílson. Os dois volantes, ao lado de Elano, praticamente liquidaram as possibilidades de criação do meio.
Mas no ataque foi aonde Dunga mais chegou perto do Parreira. No segundo tempo, o treinador tirou Rafael Sóbis e colocou Adriano, ao lado de Fred, reeditando a maior decepção do Brasil na última Copa, um ataque com dois centroavantes de oficio (Ronaldo e Adriano), que no Mundial foi batizado torres gêmeas. Assim como na Alemanha, o ataque brasileiro ficou inoperante, e a situação melhorou, mas não muito, quando o treinador colocou o meia Diego no lugar de Fred.
Apesar de tudo, ainda houve quem gostou da apresentação do time. O comentarista Falcão disse ter gostado do que viu. Acho que deve ter sido só ele. Como gostar de um time que não finalizou uma vez sequer no segundo tempo?
É começo de trabalho, mas é bom o técnico não deslizar porque este ano tem Copa América e começam as Eliminatórias. Qualquer escorregão poderá ser fatal.
Tudo bem que foi apenas o sétimo jogo sob seu comando. O treinador ainda busca o melhor figurino para o time. Mas duas atitudes do capitão do tetra nos remeteram a um passado não muito distante, e que os brasileiros fazem de tudo para esquecer: a pífia apresentação da Seleção na Copa da Alemanha 2006.
Assim como Parreira, que escalou na copa Emerson e Gilberto Silva, Dunga escalou, contra Portugal, no meio-campo, dois jogadores com as mesmas características: Gilberto Silva e Edmílson. Os dois volantes, ao lado de Elano, praticamente liquidaram as possibilidades de criação do meio.
Mas no ataque foi aonde Dunga mais chegou perto do Parreira. No segundo tempo, o treinador tirou Rafael Sóbis e colocou Adriano, ao lado de Fred, reeditando a maior decepção do Brasil na última Copa, um ataque com dois centroavantes de oficio (Ronaldo e Adriano), que no Mundial foi batizado torres gêmeas. Assim como na Alemanha, o ataque brasileiro ficou inoperante, e a situação melhorou, mas não muito, quando o treinador colocou o meia Diego no lugar de Fred.
Apesar de tudo, ainda houve quem gostou da apresentação do time. O comentarista Falcão disse ter gostado do que viu. Acho que deve ter sido só ele. Como gostar de um time que não finalizou uma vez sequer no segundo tempo?
É começo de trabalho, mas é bom o técnico não deslizar porque este ano tem Copa América e começam as Eliminatórias. Qualquer escorregão poderá ser fatal.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Simbologia corintiana
Por Guilherme Ibraim
A saída do atacante Christian do Corinthians representa muito mais do que uma simples transferência de um jogador para um clube. Todos os adjetivos utilizados pela imprensa para analisar a transação dão o tom da situação: “surpreendente saída”, “traição”, entre outros. O simbolismo contido na transação evidencia que os clubes paulistas não estão mais tão fortes assim.
Christian foi contratado pelo Corinthians no início do ano e tinha contrato até o fim de 2007. Nos cinco primeiros jogos com a camisa alvinegra ele marcou cinco gols e estava na artilharia do paulistão ao lado de Finazzi (Ponte Preta), Cleber Santana (Santos) e Somália (São Caetano). Estima-se que o jogador ganhava cerca de R$ 50 mil no Parque São Jorge e estava feliz com a boa fase em sua segunda passagem pelo futebol paulista – a primeira foi no São Paulo no ano de 2005.
Os 500 mil que o Internacional pagou como multa recisória do atacante denotam como está a situação do Corinthians. Com o apoio formal, mas sem ver a cor do dinheiro da MSI o clube Paulista luta para manter-se como grande. Obviamente que não como clube, porque a história do Corinthians é gloriosa, mas como força e representação de uma grande potência do futebol brasileiro em termos financeiros e de visibilidade. A saída de Christian sinaliza de forma mais contundente a situação pífia com a qual a diretoria do clube paulista trabalha e também a desorganização fora das quatro linhas.
Jogar no Corinthians hoje exige raça para agüentar as perseguições de torcedores após cada derrota; exige paciência para engolir uma variedade incrível de bobagens ditas por alguns comentaristas-torcedores que se acham consultores futebolísticos de primeira linha. A fadiga não se dá somente pelo esforço dentro das quatro linhas, ela talvez seja mais contundente do que esta. É mental e emocional.
Uma rápida olhada no grupo corintiano atual e em alguns de seus últimos times como o de 2005 ou 1999 nos mostra que jogar em Parque São Jorge tem sido cada vez mais tarefa para os “salvadores” da base ou para jogadores que não estão mais no ápice da carreira. Internacional, Cruzeiro, Grêmio entre outros ganham a preferência de jogadores que desejam sair do “stress” de Rio e São Paulo para viverem na tranqüilidade de centros menores. Clubes, abram o olho...
A saída do atacante Christian do Corinthians representa muito mais do que uma simples transferência de um jogador para um clube. Todos os adjetivos utilizados pela imprensa para analisar a transação dão o tom da situação: “surpreendente saída”, “traição”, entre outros. O simbolismo contido na transação evidencia que os clubes paulistas não estão mais tão fortes assim.
Christian foi contratado pelo Corinthians no início do ano e tinha contrato até o fim de 2007. Nos cinco primeiros jogos com a camisa alvinegra ele marcou cinco gols e estava na artilharia do paulistão ao lado de Finazzi (Ponte Preta), Cleber Santana (Santos) e Somália (São Caetano). Estima-se que o jogador ganhava cerca de R$ 50 mil no Parque São Jorge e estava feliz com a boa fase em sua segunda passagem pelo futebol paulista – a primeira foi no São Paulo no ano de 2005.
Os 500 mil que o Internacional pagou como multa recisória do atacante denotam como está a situação do Corinthians. Com o apoio formal, mas sem ver a cor do dinheiro da MSI o clube Paulista luta para manter-se como grande. Obviamente que não como clube, porque a história do Corinthians é gloriosa, mas como força e representação de uma grande potência do futebol brasileiro em termos financeiros e de visibilidade. A saída de Christian sinaliza de forma mais contundente a situação pífia com a qual a diretoria do clube paulista trabalha e também a desorganização fora das quatro linhas.
Jogar no Corinthians hoje exige raça para agüentar as perseguições de torcedores após cada derrota; exige paciência para engolir uma variedade incrível de bobagens ditas por alguns comentaristas-torcedores que se acham consultores futebolísticos de primeira linha. A fadiga não se dá somente pelo esforço dentro das quatro linhas, ela talvez seja mais contundente do que esta. É mental e emocional.
Uma rápida olhada no grupo corintiano atual e em alguns de seus últimos times como o de 2005 ou 1999 nos mostra que jogar em Parque São Jorge tem sido cada vez mais tarefa para os “salvadores” da base ou para jogadores que não estão mais no ápice da carreira. Internacional, Cruzeiro, Grêmio entre outros ganham a preferência de jogadores que desejam sair do “stress” de Rio e São Paulo para viverem na tranqüilidade de centros menores. Clubes, abram o olho...
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
Cruzeiro empata e segue líder em jogo marcado pela violência
Por Orozimbo Souza Júnior
No sempre complicado Alçapão do Bonfim, o time da Toca conseguiu arrancar o empate nos segundos finais dos acréscimos. O dois a dois manteve a invencibilidade e garantiu ao time celeste a liderança do Mineiro, que esteve ameaçada pelo Villa, que, durante a maior parte do jogo, ficou em vantagem no placar.
O jogo foi fraco tecnicamente, sobretudo devido aos já conhecidos problemas do gramado do Castor Cifuentes, menor e muito irregular. O Villa, novamente, teve um jogador expulso e, mesmo assim, conseguiu ficar à frente no placar. Por muito pouco, o Leão não derruba o segundo grande do campeonato, apesar de a equipe celeste ter conseguido as chances mais claras.
Mas a partida foi marcada, infelizmente, por cenas lamentáveis de violência. Ainda no primeiro tempo, a polícia tentava organizar as torcidas nas arquibancadas, quando uma bomba de gás lacrimogênio explodiu e a fumaça chegou ao gramado, provocando irritação nos olhos dos atletas e levando à paralisação da partida por cerca de oito minutos.
No segundo tempo a violência continuou e que se viu foi uma seqüência de imagens absurdas, nas quais se registraram a covardia e a truculência por parte da polícia, que, além de agredir torcedores, atirou várias balas de borracha, ferindo algumas pessoas. É preciso mencionar que o mau comportamento das torcidas gerou a repreensão policial. Contudo, não se justificam a atitude de alguns militares, que agrediram, inclusive, mulheres. Uma torcedora foi retirada do estádio desacordada. Depois da partida, houve mais confrontos nas ruas de Nova Lima.
O comandante da PM na cidade prometeu apuração, para se chegar aos responsáveis pelos incidentes lamentáveis e, em seguida, fazer as devidas punições, o que, particularmente, não acredito que vá acontecer. Ano após ano a história se repete e pouco ou nada é feito para coibir a ação de marginais fantasiados de torcedores e de policiais despreparados.
No sempre complicado Alçapão do Bonfim, o time da Toca conseguiu arrancar o empate nos segundos finais dos acréscimos. O dois a dois manteve a invencibilidade e garantiu ao time celeste a liderança do Mineiro, que esteve ameaçada pelo Villa, que, durante a maior parte do jogo, ficou em vantagem no placar.
O jogo foi fraco tecnicamente, sobretudo devido aos já conhecidos problemas do gramado do Castor Cifuentes, menor e muito irregular. O Villa, novamente, teve um jogador expulso e, mesmo assim, conseguiu ficar à frente no placar. Por muito pouco, o Leão não derruba o segundo grande do campeonato, apesar de a equipe celeste ter conseguido as chances mais claras.
Mas a partida foi marcada, infelizmente, por cenas lamentáveis de violência. Ainda no primeiro tempo, a polícia tentava organizar as torcidas nas arquibancadas, quando uma bomba de gás lacrimogênio explodiu e a fumaça chegou ao gramado, provocando irritação nos olhos dos atletas e levando à paralisação da partida por cerca de oito minutos.
No segundo tempo a violência continuou e que se viu foi uma seqüência de imagens absurdas, nas quais se registraram a covardia e a truculência por parte da polícia, que, além de agredir torcedores, atirou várias balas de borracha, ferindo algumas pessoas. É preciso mencionar que o mau comportamento das torcidas gerou a repreensão policial. Contudo, não se justificam a atitude de alguns militares, que agrediram, inclusive, mulheres. Uma torcedora foi retirada do estádio desacordada. Depois da partida, houve mais confrontos nas ruas de Nova Lima.
O comandante da PM na cidade prometeu apuração, para se chegar aos responsáveis pelos incidentes lamentáveis e, em seguida, fazer as devidas punições, o que, particularmente, não acredito que vá acontecer. Ano após ano a história se repete e pouco ou nada é feito para coibir a ação de marginais fantasiados de torcedores e de policiais despreparados.
domingo, 4 de fevereiro de 2007
Galo segue sua sina
Por Orozimbo Souza Júnior
Mais uma rodada do fraquíssimo Campeonato Mineiro se vai, e o Atlético continua a decepcionar, para não dizer envergonhar, a sua torcida. Em três jogos, sendo dois em casa, o time soma apenas um ponto. Lá pelos lados de Vespasiano, já estavam fazendo cálculos há uma semana. Imaginem agora.
Pior do que não conseguir os resultados é ver o péssimo desempenho do time em campo, o que parece não deixar perspectivas de melhora. Tudo bem que foi apenas a terceira partida do time no ano e, normalmente, em início de trabalho, os treinadores pedem cinco ou seis jogos para acertar o time.
Pensando assim, o técnico Levir acha anormais os resultados, mas aceitáveis, pelo fato de o time estar em fase de ajustes. De qualquer forma, não há mais o que esperar, pois um resultado negativo no clássico de semana que vem, praticamente, tira do time a chance de classificação.
Mais uma rodada do fraquíssimo Campeonato Mineiro se vai, e o Atlético continua a decepcionar, para não dizer envergonhar, a sua torcida. Em três jogos, sendo dois em casa, o time soma apenas um ponto. Lá pelos lados de Vespasiano, já estavam fazendo cálculos há uma semana. Imaginem agora.
Pior do que não conseguir os resultados é ver o péssimo desempenho do time em campo, o que parece não deixar perspectivas de melhora. Tudo bem que foi apenas a terceira partida do time no ano e, normalmente, em início de trabalho, os treinadores pedem cinco ou seis jogos para acertar o time.
Pensando assim, o técnico Levir acha anormais os resultados, mas aceitáveis, pelo fato de o time estar em fase de ajustes. De qualquer forma, não há mais o que esperar, pois um resultado negativo no clássico de semana que vem, praticamente, tira do time a chance de classificação.
Márcio Araújo
Por Orozimbo Souza Júnior
O Atlético fez mais uma negociação esquisita. O jovem Márcio Araújo, um dos melhores jogadores do time, foi emprestado por um ano ao futebol japonês. É um grande desfalque para a equipe, que ainda está longe do acerto em 2007.
Mas o que chama a atenção não é a perda de uma importante peça de um time ainda claudicante. Araújo foi emprestado por um ano. Os valores não foram divulgados, mas, certamente, não serão suficientes para dar um alento, em meio à crise financeira do alvinegro.
Que os clubes brasileiros precisam vender atletas para se manterem, não resta dúvida. Essa regra vale para os mais bem-sucedidos dos últimos anos (São Paulo e Inter), e não seria diferente com o Galo. “Fazer dinheiro” vendendo uma revelação seria compreensível. Mas esse empréstimo soa estranho.
O Atlético fez mais uma negociação esquisita. O jovem Márcio Araújo, um dos melhores jogadores do time, foi emprestado por um ano ao futebol japonês. É um grande desfalque para a equipe, que ainda está longe do acerto em 2007.
Mas o que chama a atenção não é a perda de uma importante peça de um time ainda claudicante. Araújo foi emprestado por um ano. Os valores não foram divulgados, mas, certamente, não serão suficientes para dar um alento, em meio à crise financeira do alvinegro.
Que os clubes brasileiros precisam vender atletas para se manterem, não resta dúvida. Essa regra vale para os mais bem-sucedidos dos últimos anos (São Paulo e Inter), e não seria diferente com o Galo. “Fazer dinheiro” vendendo uma revelação seria compreensível. Mas esse empréstimo soa estranho.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
Jovens treinadores, sejam bem-vindos
Por Orozimbo Souza Júnior
Uma das melhores coisas que aconteceram ao futebol brasileiro nos últimos anos foi a revelação de alguns novos treinadores. Jovens e competentes, nomes como Caio Júnior (Palmeiras), Renato Gaúcho (Vasco), Mano Menezes (Grêmio) e outros estão ajudando a acabar com um circulo vicioso ao qual nossos clubes ficam presos.
Numa espécie de dança das cadeiras em que o número de cadeiras e de participantes é sempre o mesmo, ou seja, ninguém sobra, as opções de técnicos são poucas, e sempre as mesmas. Daí, surgem as “figurinhas carimbadas”, que estão sempre pulando de galho em galho, digo, de clube em clube.
Nomes como Osvaldo de Oliveira, Tite, Joel Santana, Jair Picerni e tantos outros já passaram pela maioria dos clubes grandes do país, na tradicional cultura brasileira de se mudar o comando técnico a cada seqüência de cinco, seis resultados negativos.
Aqui não vai nenhum questionamento à capacidade de tais treinadores, e sim uma saudação aos jovens, que estão entrando no mercado e, além de darem mais opções aos clubes, trazem novas idéias, novas maneiras de se trabalhar o futebol. Essa concorrência é muito positiva, pois também faz com que os treinadores mais antigos reciclem suas idéias, caso contrário ficarão fora do mercado.
Há cerca de dois anos, a nova safra de técnicos deu seu cartão de visitas. Novos nomes despontam. Ganha o futebol brasileiro.
Uma das melhores coisas que aconteceram ao futebol brasileiro nos últimos anos foi a revelação de alguns novos treinadores. Jovens e competentes, nomes como Caio Júnior (Palmeiras), Renato Gaúcho (Vasco), Mano Menezes (Grêmio) e outros estão ajudando a acabar com um circulo vicioso ao qual nossos clubes ficam presos.
Numa espécie de dança das cadeiras em que o número de cadeiras e de participantes é sempre o mesmo, ou seja, ninguém sobra, as opções de técnicos são poucas, e sempre as mesmas. Daí, surgem as “figurinhas carimbadas”, que estão sempre pulando de galho em galho, digo, de clube em clube.
Nomes como Osvaldo de Oliveira, Tite, Joel Santana, Jair Picerni e tantos outros já passaram pela maioria dos clubes grandes do país, na tradicional cultura brasileira de se mudar o comando técnico a cada seqüência de cinco, seis resultados negativos.
Aqui não vai nenhum questionamento à capacidade de tais treinadores, e sim uma saudação aos jovens, que estão entrando no mercado e, além de darem mais opções aos clubes, trazem novas idéias, novas maneiras de se trabalhar o futebol. Essa concorrência é muito positiva, pois também faz com que os treinadores mais antigos reciclem suas idéias, caso contrário ficarão fora do mercado.
Há cerca de dois anos, a nova safra de técnicos deu seu cartão de visitas. Novos nomes despontam. Ganha o futebol brasileiro.
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
A melhor safra de goleiros da história
Por Orozimbo Souza Júnior
Há alguns anos, a ingrata posição de goleiro era uma das que o Brasil produzia menos, tanto em qualidade quanto em quantidade. Para contar com um guarda-redes mais gabaritado, os clubes precisavam recorrer aos nossos vizinhos argentinos e uruguaios.
Mas de uns tempos pra cá, com a elaboração de treinamento e preparação específicos, a situação mudou. De importadores, viramos exportadores. Temos vários goleiros defendendo equipes do exterior: Dida (Milan), Júlio César (Inter de Milão), Doni e Júlio Sérgio (Roma), Helton (Porto), Marcelo Moretto (Benfica), Gomes (PSV), Rubinho (Vitória de Setúbal) e outros que não me lembro agora.
Além deles, temos muitos em atividade por aqui, tão bons ou melhores. Os veteranos Marcos e Rogério Ceni, o jovem, mas experiente, Fábio e uma lista extensa.
O que impressiona mais ainda são os novos valores. Clubes grandes contam com garotos competentes defendendo suas redes, o que contraria uma máxima que afirma que goleiro está pronto ali pelos 26, 28 anos.
Vai mais uma lista de jovens craques na função de evitar gols: Renan (Internacional), Cléber (Atlético-PR), Felipe (Santos) Marcelo (Corinthians), Diego Cavalieri (Palmeiras), Bruno (Flamengo) para mim o melhor de todos, Diego (Atlético-MG). O Galo, aliás, tem outros dois jovens com muito potencial, Edson e Jéferson. Olho neles.
Há alguns anos, a ingrata posição de goleiro era uma das que o Brasil produzia menos, tanto em qualidade quanto em quantidade. Para contar com um guarda-redes mais gabaritado, os clubes precisavam recorrer aos nossos vizinhos argentinos e uruguaios.
Mas de uns tempos pra cá, com a elaboração de treinamento e preparação específicos, a situação mudou. De importadores, viramos exportadores. Temos vários goleiros defendendo equipes do exterior: Dida (Milan), Júlio César (Inter de Milão), Doni e Júlio Sérgio (Roma), Helton (Porto), Marcelo Moretto (Benfica), Gomes (PSV), Rubinho (Vitória de Setúbal) e outros que não me lembro agora.
Além deles, temos muitos em atividade por aqui, tão bons ou melhores. Os veteranos Marcos e Rogério Ceni, o jovem, mas experiente, Fábio e uma lista extensa.
O que impressiona mais ainda são os novos valores. Clubes grandes contam com garotos competentes defendendo suas redes, o que contraria uma máxima que afirma que goleiro está pronto ali pelos 26, 28 anos.
Vai mais uma lista de jovens craques na função de evitar gols: Renan (Internacional), Cléber (Atlético-PR), Felipe (Santos) Marcelo (Corinthians), Diego Cavalieri (Palmeiras), Bruno (Flamengo) para mim o melhor de todos, Diego (Atlético-MG). O Galo, aliás, tem outros dois jovens com muito potencial, Edson e Jéferson. Olho neles.
Nivelado por, apenas, bons jogadores
Por Guilherme Ibraim
Virou moda no Brasil dizer que o nosso futebol está nivelado por baixo. Dirigentes, jornalistas, técnicos, todos adotaram o chavão como se o nível técnico e das exibições em nossos campos fosse algo deplorável e que merece nem mesmo ser visto pelos torcedores. De antemão discordo dessa afirmativa; não completamente, mas discordo.
A sensação que se tem ao ouvir a afirmativa é a de que os Campeonatos Estaduais, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro são competições de baixíssimo nível técnico em que se sobressaem os pernas-de-pau e somente os jogadores sem qualidade aparecem como estrelas. Não é verdade. Talvez 2006 tenha deixado essa impressão calamitosa por conta da campanha da seleção brasileira na Copa do Mundo e pelo, apenas mediano, Brasileirão. O adjetivo mediano se deve à falta de um jogador de maior destaque ou um jogo que tenha ficado na memória do torcedor por sua emoção. Nada contra a escolha de Rogério Ceni como craque da competição, mas certamente há algo de errado quando um goleiro é tão ovacionado pela crônica esportiva.
Em parte a culpa é da imprensa e em parte do próprio futebol. Na parte que cabe aos meios de comunicação e aos comentaristas está o exagero na transformação, mais do que meteórica, de jogadores novos em estrelas e até de jogadores medianos em super-heróis para o torcedor. Nessa lista eis alguns nomes: Lenny (Fluminense), Marcelo (Fluminense), Thiago (São Paulo), Wágner(Cruzeiro), Renato Augusto(Flamengo), Alexandre Pato (Internacional), Lucas(Grêmio) e por aí vão. Uns vão discordar, outros vão concordar com nomes colocados aqui, mas craque, comparável a Romário, Zidane, Platini, Cruyff ou Maradona, nenhum deles ainda é.
Em relação à parte futebolística da culpa, está a falta de condições de manter os nossos melhores jogadores por aqui. A disparidade financeira, a visibilidade dos centros europeus e o glamour do futebol do velho continente contribuem para a debandada brasileira. Mas a falta de habilidade na negociação e na compreensão dos clubes como empresas que precisam de estratégias de marketing e de vendas de suas marcar para aumentar receitas e consequentemente manter seus melhores jogadores em casa. Alguém já pensou como seria negociar com as televisões os direitos de transmissão de um campeonato em que Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Ronaldo, Rivaldo, Romário, Robinho, entre outros, apimentassem a disputa? Não.
Ainda que os craques, ou melhor, grandes jogadores, estejam fora do país, o futebol canarinho não está nivelado por baixo. O problema é que nós brasileiros não nos acostumamos com a realidade de ver um campeonato com a presença de bons jogadores, mas não de craques. Os craques se foram há algum tempo. Se o futebol estivesse tão ruim, como teríamos dois Campeões da Taça Libertadores e Mundiais (São Paulo e Internacional), finalista de Recopa Sul-Americana e tudo mais? Quem discordar tente assistir a três jogos seguidos dos Campeonatos Italiano ou Alemão e depois me conte onde está o melhor futebol do mundo.
Virou moda no Brasil dizer que o nosso futebol está nivelado por baixo. Dirigentes, jornalistas, técnicos, todos adotaram o chavão como se o nível técnico e das exibições em nossos campos fosse algo deplorável e que merece nem mesmo ser visto pelos torcedores. De antemão discordo dessa afirmativa; não completamente, mas discordo.
A sensação que se tem ao ouvir a afirmativa é a de que os Campeonatos Estaduais, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro são competições de baixíssimo nível técnico em que se sobressaem os pernas-de-pau e somente os jogadores sem qualidade aparecem como estrelas. Não é verdade. Talvez 2006 tenha deixado essa impressão calamitosa por conta da campanha da seleção brasileira na Copa do Mundo e pelo, apenas mediano, Brasileirão. O adjetivo mediano se deve à falta de um jogador de maior destaque ou um jogo que tenha ficado na memória do torcedor por sua emoção. Nada contra a escolha de Rogério Ceni como craque da competição, mas certamente há algo de errado quando um goleiro é tão ovacionado pela crônica esportiva.
Em parte a culpa é da imprensa e em parte do próprio futebol. Na parte que cabe aos meios de comunicação e aos comentaristas está o exagero na transformação, mais do que meteórica, de jogadores novos em estrelas e até de jogadores medianos em super-heróis para o torcedor. Nessa lista eis alguns nomes: Lenny (Fluminense), Marcelo (Fluminense), Thiago (São Paulo), Wágner(Cruzeiro), Renato Augusto(Flamengo), Alexandre Pato (Internacional), Lucas(Grêmio) e por aí vão. Uns vão discordar, outros vão concordar com nomes colocados aqui, mas craque, comparável a Romário, Zidane, Platini, Cruyff ou Maradona, nenhum deles ainda é.
Em relação à parte futebolística da culpa, está a falta de condições de manter os nossos melhores jogadores por aqui. A disparidade financeira, a visibilidade dos centros europeus e o glamour do futebol do velho continente contribuem para a debandada brasileira. Mas a falta de habilidade na negociação e na compreensão dos clubes como empresas que precisam de estratégias de marketing e de vendas de suas marcar para aumentar receitas e consequentemente manter seus melhores jogadores em casa. Alguém já pensou como seria negociar com as televisões os direitos de transmissão de um campeonato em que Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Ronaldo, Rivaldo, Romário, Robinho, entre outros, apimentassem a disputa? Não.
Ainda que os craques, ou melhor, grandes jogadores, estejam fora do país, o futebol canarinho não está nivelado por baixo. O problema é que nós brasileiros não nos acostumamos com a realidade de ver um campeonato com a presença de bons jogadores, mas não de craques. Os craques se foram há algum tempo. Se o futebol estivesse tão ruim, como teríamos dois Campeões da Taça Libertadores e Mundiais (São Paulo e Internacional), finalista de Recopa Sul-Americana e tudo mais? Quem discordar tente assistir a três jogos seguidos dos Campeonatos Italiano ou Alemão e depois me conte onde está o melhor futebol do mundo.
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